🌶️ Entrevista Exclusiva: RDD e a Alquimia Global do Álbum "Hot Sauce"
RDD: A Alquimia do "Hot Sauce"
Por Editorial Ovelha Negra | Entrevista Exclusiva
Rafa Dias, ou simplesmente RDD, é o arquiteto por trás de algumas das maiores revoluções sonoras da Bahia nos últimos anos. Em "Hot Sauce", ele entrega um condimento essencial para o pop global de 2026. Recebemos o mestre para uma conversa profunda sobre técnica, ancestralidade e o futuro do grave.
1. A Alquimia do Tempero (Engenharia de Som)
"Tecnicamente, como foi o processo de equilibrar o 'ardor' dos graves sintéticos do 808 com a 'acidez' orgânica das percussões baianas?"
RDD: "Salve, galera da Ovelha Negra! Cara, tudo começa por uma boa escolha. Diferente do ÀTTØØXXÁ, que é uma banda com muita gente, no disco do RDD eu busco algo mais mínimo, um olhar de tempero mesmo. A gente usa muito pimenta de cheiro aqui na Bahia, que não arde, mas o cheiro e o sabor fazem toda a diferença. Tecnicamente, a escolha da percussão certa no momento certo faz com que as camadas não se atropelem. É como cozinhar: tu tens o grave pesado que é a base, e a percussão entra para dar o brilho, a acidez. Se tu escolhes bem os timbres, eles conversam sem brigar, mantendo a vibração lá no alto sem saturar."
2. A Desconstrução do Pagodão (Estrutura)
"Qual foi o elemento do pagodão que tu mais fizeste questão de desconstruir em 'Hot Sauce'?"
RDD: "O Pagodão na sua origem já é uma fusão. Eu tento 'vandalizar' de forma positiva, trazendo novos temperos. O que eu mais quis desconstruir foi essa ideia de que o ritmo tem de ser sempre igual. Eu posso carregar mais no torpedo se quiser algo mais virado para o lado da América Central, ou adicionar um clap mais seco para soar mais Londres ou Atlanta. Eu quis mostrar que o pagodão pode ser sexy, pode ser eletrónico puro, pode estar em qualquer pista do mundo. É pegar na célula ancestral e dar-lhe um software novo."
3. Curadoria de Vozes (Identidade)
"Como foi o critério de 'casting' para garantir que cada voz servisse como um ingrediente do molho?"
RDD: "A naturalidade é a chave deste disco. Todas as participações são pessoas com quem eu já tenho uma conexão real. Não foi 'casting' de gravadora, foi 'tête-à-tête'. No estúdio, eu deixo a pessoa à vontade. Teve momentos em que o artista estava só a cantarolar enquanto fazia outra coisa e eu dizia: 'É isso! Esse é o tempero que falta na track'. Eu queria que as vozes fossem texturas, que fizessem parte da batida e não apenas um nome jogado no cartaz. Se a energia não bater com o grave, o molho desanda."
"O meu legado é a ausência de limites. É fazer a Bahia soar no mundo sem precisar de tradução."
4. Glocalismo e Exportação (Mercado)
"Tu sentes que o mercado internacional já entende a síncope brasileira ou ainda precisas adaptar certas frequências?"
RDD: "Eu sou aficionado por timbres. O meu estudo de mixagem é justamente para soar 'heavy', para bater igual nos clubes lá fora. Existe algo exótico para eles porque o nosso balanço é muito único, muito fresco. Mas eu não adapto para 'agradar', eu adapto para 'elevar'. Eu quero que o gringo ouça e sinta que é o futuro, mesmo que ele não entenda a letra. A frequência do grave é universal."
5. O Legado do Ritmo (Futuro)
"Tu vês este álbum como uma ferramenta para novos produtores da periferia?"
RDD: "Com certeza. O limite entre a pista e a política é o corpo que dança. Se o corpo está livre, a mente abre. Eu quero que o moleque na favela veja que com o software dele, ele é tão potente quanto qualquer maestro. 'Hot Sauce' é para mostrar que a nossa estética é tecnologia de ponta. O meu legado é abrir essa porta: mostrar que a gente pode ser global sendo 100% nós mesmos."
Hot Sauce está disponível em todas as plataformas.
Acompanha @rdd_real e a curadoria @OvelhaNegra para mais síncope.
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